Natureza exuberante
No Vale da Ferradura,
a convivência harmônica com a natureza é um espetáculo
à parte. Curta o vento, o sol, as belas vistas, um banho
de cachoeira, os animais!
Aqui você encontra animais como quati, macaco-prego, bugio-ruivo,
serelepe, cutia, gambá, mão-pelada, veado-mateiro, graxaim e muitos
roedores. E também grande variedade de aves de extrema beleza e
raridade.
Muitos deles possuem um contato próximo com os seres humanos,
como é o caso, principalmente, dos quatis, e em geral você
pode observá-los de perto na área principal do Vale da Ferradura,
mesmo sem fazer as trilhas. Consulte os horários mais favoráveis.
 Os quatis, em grande quantidade no Vale da ferradura, são
mamíferos que se alimentam de minhocas, insetos e frutas,
apreciando também ovos, legumes e especialmente lagartos.
Dormem no alto das árvores, enrolados como uma bola, e não
descem antes do amanhecer. Seu órgão mais sensível
com certeza é seu nariz, que é móvel e muito
alongado. Possui dentes e garras fortes.
Amigo da natureza: aprofunde-se
O parque Vale da Ferradura está localizado ao norte do município
de Canela RS, na região correspondente às coordenadas
29°16' S - 50°50' W, compreendendo um total de aproximadamente
200 ha, com altitudes que variam de 400 m a 750 m.
Fica no Planalto das Araucárias, popularmente designado como
"Serra Gaúcha". Os elementos que compõem
a sua flora são típicos da Floresta Ombrófila
Mista Montana e da Floresta Estacional Semidecidual Montana, com
áreas de transição entre as mesmas e com diversos
estágios de sucessão.
A área do parque faz parte da bacia hidrográfica do
rio Caí. Nesta bacia, existem 11 Unidades de Conservação
municipais e/ou particulares, duas estaduais - Parque Estadual do
Delta do Jacuí e Parque Estadual do Caracol - e uma federal
- Floresta Nacional de Canela.
O clima da região é superúmido, com as curvas
ombrométricas das estações meteorológicas
sempre positivas. Há ocorrência de três ou mais
meses com temperaturas médias compensadas mensais abaixo
de 15°C, que ocasionam a chamada seca fisiológica das
plantas tropicais, criadora da estacionalidade.
O Vale da Ferradura possui variados micro-habitats, com áreas
mais expostas a incidência solar, aos ventos e sujeitas a
interferência humana, bem como áreas totalmente protegidas,
sombreadas, úmidas e sujeitas a inundações
periódicas. A preservação destes remanescentes
aliada à atividade de educação ambiental ao
mesmo tempo que ao ócio, como forma de lazer recreativo,
é extremamente importante.
O parque é cortado por quatro trilhas, que apresentam características
peculiares: trilha do Rio Caí, trilha do Pórtico, trilha das Cutias
e trilha das Pinguelas.
Selecione uma trilha e conheça um pouco da natureza que preservamos
(veja fotos das trilhas na seção "Esportes"):
É a principal trilha da Ferradura. Apresenta uma diferença
altitudinal de 350 m, iniciando a 750 m alt. e terminando a 400 m
alt., no ponto em que o arroio Caçador deságua no Rio Caí. A formação
vegetal típica é a Floresta Estacional Semidecidual. Apesar
de ser uma trilha contínua, tem o seu percurso dificultado pela declividade
do terreno, podendo ser dividia em quatro trechos.
O primeiro trecho leva a dois mirantes de madeira, localizados
a 700 m alt. e de onde se tem uma vista da cascata do arroio Caçador.
O segundo trecho vai de 700 até 550 m alt. e é o trecho de maior
extensão e menor dificuldade. Os dois primeiros e o início do
terceiro trecho apresentam uma vegetação alterada, que se apresenta
em estágios sucessionais diferenciados e com condições de baixa
umidade.
O terceiro trecho inicia a 550 m alt., ponto onde as trilhas do
rio Caí e do Pórtico se encontram, e termina a 450 m de alt. no
leito do arroio Caçador, acima da queda d’água. Neste ponto a
vegetação é mais densa e com condições de elevada umidade, propiciando
o aparecimento de espécies que têm preferência por esses ambientes.
O último trecho vai de 450 a 400 m alt. e é o de maior dificuldade,
pois a declividade é acentuada e as condições de umidade, elevadas,
tornando a trilha escorregadia. Neste trecho a vegetação é muito
densa e com um elevado número de epífitas. Além disso, parte deste
trecho está sujeito a borrifos d’água, porque acompanha a queda
da cascata. Este trecho termina a 400 m alt., no pé da cascata
do arroio Caçador e às margens do Rio Caí, em uma área plana sujeita
a inundações periódicas, principalmente na estação chuvosa.
A trilha se inicia a 750 m e termina a 550 m alt., onde se encontra
com a trilha do Rio Caí. É coberta por Floresta Estacional
Semidecidual até cerca de 600 m alt. A partir deste ponto,
a vegetação predominante é Floresta Ombrófila Mista.
Esta trilha foi usada no passado como estrada de escoamento de
madeira. Desta forma, suas formações vegetais encontram-se alteradas,
mas em regeneração até aproximadamente 700 m alt. No trecho compreendido
entre 700 e 750 m alt., a maioria das espécie é herbácea, com
muitas plantas pioneiras e espécimes de Pinus spp.
Neste trecho existe um recanto conhecido como Cascata do Graxaim,
que apresenta a formação vegetal típica de Floresta Ombrófila
Mista, com a presença de Araucaria angustifolia e Dicksonia sellowiana.
Encontra-se na faixa entre 700 e 750 m alt., no platô do parque,
acima da trilha do Pórtico. A formação vegetal Floresta Ombrófila
Mista apresenta diversos estágios de sucessão vegetacional
e condições de baixa umidade.
Apresenta um trecho com afloramento rochoso onde a presença de
cactáceas e bromeliáceas é marcante.
Também está entre 700 e 750 m alt., porém voltada para o Vale
da Ferradura. A formação vegetal Floresta Ombrófila Mista
está muito bem caracterizada e preservada na maior parte da trilha,
excetuando o trecho final que é um antigo pomar, onde a presença
de vegetação pioneira chama a atenção.
Além disso, a trilha acompanha um pequeno arroio e apresenta condições
de elevada umidade, porém o sombreamento propiciado pela copa
das árvores não é suficiente para o estabelecimento de algumas
espécies de pteridófitas.
Curiosidades sobre a fauna e flora
Fisionomicamente a Floresta Ombrófila Mista é reconhecida pela presença da conífera Araucaria angustifolia. Nas formações originais a araucária possui auto índice de valor de importância (IVI), isto é, ocorre com populações bastante densas, com indivíduos bem distribuídos na floresta e ocupando grande parte do espaço no estrato das copas. Nas florestas maduras, as araucárias formam o estrato superior dominante, encerrando sob suas copas uma outra floresta, constituída por espécies latifoliadas. A maioria destas espécies latifoliadas tem origem em sistemas florestais tropicais, como a Floresta Atlântica e a Floresta Estacional da Bacia Paraná-Uruguai. A sobreposição destes dois sistemas florísticos é a principal característica da Floresta Ombrófila Mista, definindo não apenas a composição sistemática, mas também a dinâmica de regeneração e a própria ciclagem dos nutrientes.
Outra peculiaridade associada à mistura de floras é a grande variação na composição da floresta em sua área de distribuição original. As formações mais puras desta floresta ocupam as maiores altitudes do Planalto Sulbrasileiro, onde o clima frio e úmido proporciona condições menos favoráveis às latifoliadas.
No Rio Grande do Sul, a floresta com araucária, além da conífera, está constituída principalmente por Lauráceas e Mirtáceas. As Lauráceas (canelas) ocupando o estrato superior no sub-bosque, muitas vezes atingindo mesmo o andar das araucárias; as Mirtáceas, em sua maioria, aparecem como espécies de menor porte. Outras espécies, mesmo ocorrendo com baixos IVI's, são importantes pela fisionomia que emprestam a determinados trechos e/ou estratos da floresta, como o Podocarpus lambertii (pinheiro-brabo), a Dicksonia sellowiana (xaxim), Drimys brasiliensis (casca-d'anta) e a Sloanea monosperma (carrapicheira).
O pinhão é a principal fonte energética para a fauna local nos meses do inverno.

O gênero Nasua¸ nome comum coati ou quati, é composto por duas espécies: Nasua narica, que ocorre nas Américas Central e do Norte, e Nasua nasua, na América do Sul. Ambas apresentam uma organização social semelhante: fêmeas e filhotes de até 2 anos de idade vivem em grupos e machos a partir de 2 anos são solitários, sendo admitidos nos grupos apenas durante o período de acasalamento e, nesta época, sendo subordinados às fêmeas. Porém, exceções a este padrão já foram observadas no Panamá, onde alguns machos se associam a grupos ou a outros machos fora da época reprodutiva; estas exceções ilustram a plasticidade comportamental do gênero. Tal variabilidade também pode ser observada no Vale da Ferradura, onde existe uma altíssima densidade populacional da espécie e abundância de alimento provido. O quati é um mamífero, carnívoro da família Procyonydae que mede 75 cm de comprimento, sem sua cauda, que mede 55 cm. Pesa de 3 a 6 kg. Sua pelagem é formada por pêlos compridos e abundantes e sua coloração varia de cinza escuro ao marrom avermelhado, sendo que dos lados sua pelagem é mais clara e sua barriga mais escura ruiva. Em sua cabeça destacam-se duas riscas e algumas manchas brancas arredondadas ao redor dos olhos. Suas orelhas possuem bordas amareladas. Seu focinho e, principalmente, suas patas dianteiras, que são menores que as traseiras, são pretas. Apresenta também de 7 a 8 anéis claros ao redor de sua cauda. O órgão mais sensível do quatié com certeza seu nariz, que é móvel e muito alongado. Possui dentes e garras fortes. Podem viver 12 ou mais anos, atingindo a maturidade sexual aos 2 anos de idade. Possuem uma gestação de 67 a 73 dias, dando a luz de 3 a 5 filhotes, que permanecem no ninho, no oco de uma árvore, por mais de um mês. Alimentam-se de minhocas, insetos e frutas, apreciando também ovos, legumes e especialmente lagartos. Dormem no alto das árvores, enrolados como uma bola, e não descem antes do amanhecer.
A cutia é um roedor, da família Dasyproctidae, nome científico Dasyprocta azarae. Roedor de porte médio, de cor marrom-avermelhada na maior parte do corpo e mais claro ventralmente. Cabeça alongada, com orelhas pequenas. Extremidades posteriores bem mais longas que as anteriores, com o corpo delgado e comprido, bem adaptado para hábitos cursoriais. Pés anteriores com cinco dedos, sendo o quinto muito pequeno e os posteriores com três dedos, munidos de fortes unhas curvas (com forma de casco). A cauda é muito pequena e desprovida de pêlos.
As cutias podem ser encontradas em matos ou capoeiras. São terrestres, correndo e saltando com grande rapidez entre a vegetação. Alimentam-se de frutos, sementes e vegetais suculentos encontrados no chão. Escondem-se em tocas, principalmente em barrancos, sob raízes ou troncos ocos, deitados no solo. A ninhada é de dois a três filhotes que nascem em esconderijos escuros e bem protegidos. Onde não são perseguidas por cães ou pelo homem, podem ser vistas durante o dia. O modo como seguram o alimentos, com os membros anteriores, sentados sobre as pernas posteriores, é muito gracioso.
O Brasil é o país que possui a maior diversidade mundial de primatas,
abrangendo mais de 100 espécies em seu território nacional. No
entanto, diversas espécies desse conjunto encontram-se ameaçadas,
especialmente devido à perda e fragmentação do hábitat, a caça
ilegal e provavelmente também em decorrência das doenças humanas.
O macaco-prego é um primata da família Cebidae, nome cientifico Cebus nigritus, que ocorre no sudeste do Brasil, no estado do Rio de Janeiro, no leste de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A espécie é conhecida popularmente como mico ou macaco-prego. A ecologia e o comportamento deste primata são ainda pouco conhecidos em seu habitat natural no Brasil, e no Rio Grande do Sul praticamente não existem estudos mais detalhados com relação a esta espécie. Como na maioria das espécies de primatas, a situação populacional de C. nigritus está diretamente relacionada com a destruição e modificação do hábitat florestal, que resulta num fator mais importante em relação à predação direta sobre a espécie. O macaco-prego possui uma dieta onívora bastante variada. Estudos na Amazônia Central evidenciaram a importância dos frutos de palmeiras na dieta do macaco-prego. Estes animais têm capacidade exploratória e oportunista em florestas de mangue no Maranhão. Estudos para contribuição ao conhecimento dos primatas nas Unidades de Conservação do Rio Grande do Sul ressaltaram que a coleta de frutos silvestres, a exemplo do pinhão nas matas com araucária, tende a prejudicar substancialmente as populações de primatas nessas áreas. A composição dos grupos varia de 20 a 30 indivíduos. É considerado um primata bastante inteligente, pois é capaz de utilizar ferramentas ou estratégias para conseguir alimentos. Apesar de existirem registros em diferentes regiões do estado, os micos hoje são raros na natureza, estando provavelmente em vias de desaparecimento. É mencionado na lista das espécies ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul como espécie com dados insuficientes, que não possibilitam subsidiar uma avaliação do seu status de conservação no estado.
A gralha-azul pertence à família Corvidae, nome científico Cyanocorax caeruleus. É muito comum nas florestas de pinheiros (araucária) no nordeste do estado e na Serra do Sudeste. Tem cabeça e peito pretos, e o restante da plumagem é azul escuro. Sua voz é mais forte e áspera, assemelhando-se um pouco com a de alguns corvos.
Atenção amigo turista.
Durante a permanência no parque Vale da Ferradura,
observe estas orientações:
- Limite-se a visitar os locais liberados.
- Para sua própria segurança, somente pratique esportes
de risco com autorização da administração
do Vale.
- Não remova a vegetação.
- Não deixe suas marcas em árvores ou rochas.
- Não utilize aparelhos sonoros.
- Faça fogo apenas nas churrasqueiras.
- Deposite seu lixo nas lixeiras.
- Ao encontrar animais como macacos, quatis, veados, cutias, tamanduás-mirim
e outros, NÃO dê alimentos e observe-os sem provocar
alarido, evitando contato ou aproximação. Todos os
animais do Vale da Ferradura são silvestres e de vida livre.
Preserve-os e evite acidentes.
- MANTENHA AS CRIANÇAS SOB PERMANENTE VIGILÂNCIA.
Vale da Ferradura
RS 466, Km 6 - Fone 54 9625.6839
Informações:
Laje de Pedra Hotel e Resort - Tel. 54 3278.9000
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